Vai dizer que não,
que nunca haveria beirado a loucura.
Claro que sim. Isso porque coisa como
essa só se pode estar inteiro,
completamente, digo, até o máximo.
Ou seja, ou se é louco ou não é.
Estar à beira é como temer algo,
e francamente, a loucura não perde
tempo com covardes. Ele pensava
isso enquanto afiava a faca.
A beira da loucura – repetia –
apenas um verme poderia dizer
tamanha infâmia. Não compreendia nada.
Não sabia de nada mesmo nessa merda.
E se voltasse lá iria acabar com todos
e não apenas com um. Era uma porcaria
ter que viver naquela sociedade, mas quem
estava obrigando? Ninguém. Por isso resolvera
acabar. Há três anos investira sua pouca
economia naquele asco. Era isso. Asco,
podridão. Não continuaria. Inventaria outra
merda pra fazer, quanto a isso: Nunca mais!
Estava treinando dentro de si um discurso. Sabia
mais ou menos o resultado... a gente colérica,
assim como a gente altruísta, é deveramente previsível.
Por isso: Sim!
Nunca mais olharia novamente para nenhum cercado.
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