Explosão de linhagens

Eunice Boreau

,

Art: Ricardo Biancarelli

sábado, 5 de dezembro de 2009

e de tanto pensar o amor

passou a pontuar paixão

quer amor saliva suor loucura

guerrilha cardiovascular

tambor de válvula pulmonar

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

previsão do tempo

Outros seres
haverão de surgir
em ardores
que alimentem
os tormentos e nos sacralize.
haverão de surgir
de modo gritante
com luxuriante publicidade.

e assim
no meio de si,
mas aquém, há de surgir
do sabor esquizofrênico
um outro
que se deixe
apenas ir.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

metrônomo

Além dos conjuntos
Aquém do bem e do mal
Cantam complexos distintos
A velha ordem dos famintos
Na retaguarda universal

Mutabilidade
Com paciência
Foguetes atômicos
E explosões celulares
Apenas porque os núcleos
são seus filhos milenares

Re produção
Colinificação
vitórias e pesares

A vida é uma questão
Dos segundos

domingo, 9 de agosto de 2009

vida já

Por um momento
Meu presente foi passado,
Mas bastou apenas um passo
Pra que no ato eu desse um salto
e transformasse o futuro em um fato.

domingo, 26 de julho de 2009

Condicional

O verso livre
pode ser apenas
o olhar de um
poeta preso.

domingo, 19 de julho de 2009

bendito autofrankenstein

Faça a mistura certa
A hora é agora
Pois já foi aberta
A caixa de Pandora

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sem setembro

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Vitrine viva
Hi, baby!
By, baby!

Mega babel
Plano raro
Sonho comum
Sono caro
Sonho nenhum.



Ponto partida

Ai baby
I´m Aeroplane
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by by baby
Porta ponte
Hi kai maybe

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Santo profuuundiii!!!
pavio peito porte
Baby, até a sorte!


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Boom!

domingo, 5 de julho de 2009

aquecido

Estende as mãos finas
Para a seca sã pátria
Que mirando-o
Tenta erguer-lo
De suas patas calejadas.

Passa fundo
Gira o mundo.
A gente muda o mapa
A gente gera a palavra
Mas nada adorna o dorso.

Passa tudo
Muda o mundo
As mãos visam a barra
Os pés esfriam a torre.
O sol com tudo some
E faz com que da carne
Não reste mais nada.

A neve beija o mar
E o sol grita insone:
Não falem mal
do osso desse homem
pois dentro do infinito
a vida ecoa pela fala.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

vestiu-se de sereia
e depois de ir
ao seu ponto mais alto
deixou ser dourada.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sanhauá

Bebedouro do mangue
Ponta da minha asa
Ecoa o canto crioulo
Pelos ventos da minha casa

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Rastro ontológico

Entre Lorcas e loucuras
Há uma rosa no alto jardim que tu desejas.

Mas o ser que nem só desejo é
Se enxuga com as folhagens
Recria suas próprias miragens
E deita no sonho da vida que arquiteta.


No arco quieto mira os astros
Enquanto a luz não chega
Em seu infinito quarto.

Elucubratório

Sou zambê
Quando escrevo.
Lapido a palavra
Com o solfejo
Desperto.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Não existe culpa

E assim nasceu o amor:

Ao perceber

que
tudo
foi

Apenas uma escolha

Da escuta
E do corredor

segunda-feira, 6 de abril de 2009

hoje

Com o rosnar da pétala
E o ranger do tempo
A maturação gera espelho.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

homo sabeis

arquétipo paleolítico
do prometeu liberto
grita ao homem
confuso e disperto
profusões do alimento
que colore na linha tempo
a profissão do mistério