Eu, como o outro
Tenho em meus átomos
Memórias pré-civilizadas
Trago na boca
O gosto adormecido das feras
Trago nos olhos
A percepção dilatada da caça.
Canto em meus sonhos
Todos os ritos negros
Também canto no círculo das outras cores.
Entre memórias e mitos me revejo
Também invento Deuses além das minhas sombras.
Eu, assim como o outro
Lapidei mouros
Fiz criadouros humanos
Dizimei beltranos
E depois me redimi na ética.
Eu, assim como o outro,
Sou muito menor do que a terra.
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